A Igreja Perseguida no Butão
12ª posição na Classificação de países por perseguição


Conhecido como Druk-Yul ou "A Terra do Dragão Rugidor", o pequeno reino do Butão está localizado no alto da Cordilheira do Himalaia, em uma encosta seis mil metros abaixo das altas montanhas cobertas de neve que o separam do Tibete, uma das cinco regiões autônomas da China.

Nas encostas do relevo montanhoso é comum encontrar vidoeiros, magnólias e rododentros, apesar da neve que cobre os cumes das montanhas por vários meses durante o ano.

População

O território do Butão é habitado de maneira pouco concentrada pela população. Sua ocupação ocorreu ao longo dos séculos a partir de uma série de ondas migratórias provenientes das áreas vizinhas, especialmente do Tibete.

A população de menos de um milhão de habitantes divide-se em quatro culturas principais: tibetana, indiana, sul-asiática e nepalesa. A topografia montanhosa e as condições climáticas fizeram dos butaneses um povo resistente, de boa constituição física e acostumados ao trabalho duro.

Apesar do espírito valente e guerreiro que os capacitou a manter sua independência e soberania ao longo dos anos, os butaneses são pacíficos e alegres.

A sociedade divide-se em três grupos: nobreza, camponeses e escravos (embora estes últimos tenham sido oficialmente libertados).

Da população considerada adulta, 47% é alfabetizada.

História e governo

Enclausurado em seu montanhoso santuário e fechado aos estrangeiros até 1974, o Butão tem marchado ao ritmo de seus tambores por séculos. O país ainda não se anima com a ideia de ter estrangeiros caminhando por seus sinuosos vales e suas estradas recém-pavimentadas.

Por causa dessa reclusão, a televisão e a internet chegaram ao país apenas em1999.

Em 1990, o rei Jigme Singyhe Wangchuk decretou algumas medidas para manter o isolamento do país, procurando proteger ostensivamente a cultura butanesa de influências exteriores.

O Butão está em um período de transição entre a monarquia budista absoluta e a democracia multipartidária. Entretanto, muitos butaneses gostariam que o rei Jigme permanecesse no poder.

Segundo uma pesquisa feita em 2005 pelo Centro de Estudos do Butão, 68% da população está muito satisfeita com sua vida.

A primeira Constituição do país foi ratificada em julho de 2008. Ela é baseada em princípios budistas, e sua teologia se materializa na forma de um compromisso do Estado em maximizar "a felicidade geral da nação". Direitos e responsabilidades expressos na Constituição são provenientes, em sua maioria, da cultura budista.

Economia

A área central do Butão é seu coração cultural e econômico. A política governamental segue a receita de um desenvolvimento sustentável que permite a preservação dos recursos naturais.

Quase toda a população está envolvida na pecuária e na agricultura de subsistência, sendo o arroz a principal cultura. No que concerne ao meio ambiente, o país tem sido considerado um dos mais ricos do mundo, mas isto não repercute em sua economia.

Montanhas pedregosas dominam o terreno e dificultam a construção de estradas e outros tipos de infraestrutura.

A economia butanesa é alinhada à da Índia através de forte comércio e laços monetários. O Butão também depende da assistência financeira da Índia.

Religião

O lado religioso e espiritual do Butão está ligado ao vizinho Tibete, tanto teológica quanto historicamente.

O budismo maaiana, introduzido no país no século VIII, é praticado por três quartos da população. Também chamado frequentemente de budismo tibetano, o budismo maaiana repudia Deus e se apoia no animismo e no ocultismo. Os demônios são tão familiares aos seguidores desse ramo do budismo quanto os mosteiros nos penhascos, as bandeiras de oração e outros instrumentos budistas.

O hinduísmo é praticado por um quarto da população, em sua maioria nepaleses.

A Igreja 

O Butão permaneceu fechado ao cristianismo até 1965. Pelo testemunho fiel de cristãos no interior do país, e na fronteira com a Índia, o número de convertidos cresceu de forma considerável nos últimos 25 anos. Infelizmente, o aumento nas conversões trouxe restrições.

Em 1969, a Assembleia Nacional aprovou uma resolução que afirma que nenhuma outra religião além do budismo e o hinduísmo seria reconhecida no país. Uma década depois, ela aprovou a legislação que proíbe outras religiões de evangelizar, embora as atividades privadas sejam permitidas.

Desde outubro de 2000, o governo do Butão parece ter empreendido uma campanha contra a minoria cristã no país.

Como os templos de igreja são ilegais, os cristãos reúnem-se em casas. As pesquisas variam quanto à estimativa da população cristã. Acredita-se haver entre 7 a 10 mil convertidos no país, cuja maioria está na capital, Timphu. Enquanto a maioria deles é pentecostal, as igrejas domésticas e as redes às quais pertencem são independentes umas das outras.

Poucos esforços evangelísticos são realizados para com a etnia drukpa, que compreende 68% da população. Há poucos convertidos entre eles; um líder cristão afirma haver não mais que 700 drukpas convertidos no país. Os poucos grupos e igrejas missionários que operam no Butão estão mais concentrados na etnia lhotshampa, mais receptiva - etnia de ascendência nepalesa.

Infelizmente, desunião e desconfiança flagelam a Igreja butanesa. Há a formação de zonas de influência, e também existe suspeita entre os grupos das Igrejas. Alguns praticam o chamado "roubo de ovelhas", fazendo discípulos entre os que já são convertidos. Há grande necessidade de líderes treinados.

A Perseguição
 

A perseguição no Butão não é sistemática. Atrocidades, como agressões físicas e prisões, são esporádicas.

Existe discriminação das autoridades para com obreiros cristãos, mas ela não é elevada.

Os cristãos butaneses sofrem pressão a partir de três fontes principais: o governo, a sociedade e o budismo.

Atualmente, esta vertente budista Drukpa Kagyupa ainda é a religião oficial do país. Ela vigora no Butão desde o século XIII.

Os inúmeros mosteiros com seus milhares de monges desempenham um papel importante de centros da mais elevada cultura, mantendo vivas as tradições. Os monges são requisitados para atuar como médicos e para celebrar a maioria dos eventos sociais, como casamentos e funerais. Além disso, eles também são convocados para analisar horóscopos e para realizar os importantes rituais religiosos ligados a cada detalhe da vida cotidiana butanesa.

A influência dos mosteiros e dos monges na sociedade cria uma barreira cultural ao evangelho. Divulgar qualquer outra religião sob qualquer forma é um ato ilegal.

O governo pressiona os cristãos para que se convertam ao budismo. Aqueles que se recusam são discriminados, e passam por um tempo difícil quando têm seus documentos ou licenças retidos. As crianças cristãs também sofrem na escola por causa de sua fé. Além de ser marginalizada socialmente, a Igreja butanesa é alvo frequente da perseguição do governo.

Só se permite que os convertidos pratiquem sua fé em reuniões particulares nas casas, não a ponto de propagar a fé, ou de construir templos.

Os edifícios das igrejas podem ser derrubados sem nenhum motivo, e acusações falsas às vezes são feitas contra cristãos. Pastores e evangelistas já foram detidos, encarcerados, torturados e mortos.

A maior parte da perseguição acontece em áreas onde os monges budistas opõem-se à presença de cristãos. Isto tem forçado os convertidos a reunirem-se de forma secreta e limitar suas atividades para não despertar a raiva dos monges budistas.

Motivos de Oração

1. A Igreja enfrenta o interesse mundial na preservação da cultura budista. O Butão recebe substancial atenção e auxílio internacionais por causa de sua comunidade budista e, consequentemente, há um enorme amparo ao budismo de maneira geral. Peça a Deus que a Igreja cristã no Butão receba mais apoio.

2. A tradução da Bíblia em zoncá, idioma oficial, é difícil de encontrar. Peça a Deus para mostrar aos cristãos butaneses maneiras de encontrar a sua cópia das Escrituras.

3. Os pastores e evangelistas pagam um alto preço. Eles continuam o trabalho apesar das ameaças, confiando que Deus pode proteger e libertar não só eles, mas também suas famílias. O batismo é alvo da maior perseguição devido ao seu caráter público. Peça a Deus que fortaleça as igrejas de forma que resistam aos ataques.

4. Muitos líderes eclesiásticos têm dúvidas quanto à nova Constituição. Eles não sabem se serão verdadeiramente livres ou se serão discriminados. De qualquer forma, eles se mostram abertos às novas oportunidades de ministério que essa mudança pode criar. Ore por eles, para que tenham discernimento a fim de agirem segundo o querer de Deus.

Fontes

- 2008 Report on International Religious Freedom

- BBC Country profile

- Países@

- Portas Abertas Internacional

- The World Factbook



Atualizado em 02/05/2009