A Igreja Perseguida no Catar
18ª posição na Classificação de países por perseguição
 

O Catar é um pequeno Estado independente localizado na Península Arábica, na extremidade oriental da Arábia Saudita. Seu território é rochoso e pouco fértil. O clima do país é extremamente quente e árido.

População

O Catar tem uma população que inclui um grande número de trabalhadores estrangeiros de diversas cidadanias.

Como resultado da presença de imigrantes, a população catariana apresenta uma grande desproporção entre a população masculina e a feminina: dois terços da população são constituídos por homens.

Aproximadamente 23% dos habitantes possuem idade inferior a 15 anos. A taxa de crescimento demográfico é baixa e estima-se que a população catariana não chegue nem ao dobro do que é hoje em 2050.

A maioria dos habitantes é árabe, mas há algumas minorias asiáticas. A grande maioria do povo catariano vive em áreas urbanas. Doha, a capital, abriga 83% da população de todo o país.

Mais de 77% da população é muçulmana de tradição sunita, embora exista também uma minoria xiita.

História

A história do país remonta à Antiguidade. Os primeiros habitantes conhecidos daquela área foram os cananeus.

O islã conquistou a região no século VII e a partir de então, o Catar foi domínio de vários impérios muçulmanos. Os iranianos dominaram a região por algum tempo, mas a Arábia Saudita assumiu o controle no século 18, seguida pelo Império Turco-Otomano no século seguinte.

Em 1916, o país tornou-se um protetorado britânico, situação que perdurou até 1971, quando o Catar obteve sua independência. Durante o século 20, o país permaneceu ao lado da Arábia Saudita.

Em 1991, participou da Guerra do Golfo contra o Iraque e ganhou importantes batalhas.

Governo

O Catar é uma monarquia constitucional fundamentada na sharia (lei islâmica). Não há assembleia legislativa, mas a Constituição assegura os direitos básicos dos cidadãos.

O governo e a família real são intrinsecamente ligados ao islã. O emir participa das orações públicas nos feriados religiosos e financia pessoalmente o hajj (peregrinação à Meca) àqueles que não têm condições de bancar a viagem.

O Ministério de Assuntos Islâmicos controla a construção de mesquitas, assuntos clericais, e educação islâmica para adultos e recém-convertidos ao islamismo.

Economia

O gás natural e a indústria petrolífera dominam a economia. Ambos são responsáveis por 85% de toda a pauta de exportação do país.

A taxa de desemprego é muito baixa (0,6%), e a renda per capita é a segunda mais alta do mundo.

A abundância de campos petrolíferos permite que importante parte das receitas geradas seja utilizada no desenvolvimento da nação. O governo já aumentou a malha rodoviária, construiu vários hospitais e implantou usinas de dessalinização da água do mar. Além disso, criou um plano de assistência social que inclui educação e atendimento médico totalmente gratuitos.

Qatar é o destino de imigrantes vindos do Sul e Sudeste da Ásia. Entretanto, muitos caem nas mãos de traficantes e são transformados em escravos domésticos. Em grau menor, alguns são sujeitados à exploração sexual.

O crime mais comum cometido contra imigrantes é forçá-los a aceitar termos de trabalho piores do que os que aceitaram previamente. Além disso, há escravidão por dívida, retenção de salário, detenção arbitrária e abuso físico, mental e sexual.

Apesar de a capital do país parecer uma cidade moderna, e de sediar a maior rede árabe de notícias, a al Jazeera, a cultura do Catar ainda é tribal. A sociedade sofre com o alcoolismo, abuso sexual (três a cada quatro meninas são vítimas), violência doméstica e repressão da mulher.


A Igreja 

O cristianismo chegou à região no início da era cristã e cresceu consideravelmente até ser praticamente erradicado pelo islamismo no século VII. Na era moderna, no século XIX, os católicos foram os primeiros a estabelecer a Igreja.

Não se sabe ao certo o número de cristãos. Sabe-se, porém, que a maioria deles é estrangeira, imigrantes que trabalham para as companhias petrolíferas.

É possível que haja alguns milhares de cristãos nativos não declarados.

Os cultos religiosos são realizados sem autorização prévia do governo; contudo, as congregações não podem anunciá-los publicamente com antecedência, e nem usar símbolos religiosos visíveis, como a cruz. Os cultos cristãos são realizados regularmente e abertos ao público. Alguns, particularmente os de Páscoa e Natal, atraem milhares de participantes.

Em março de 2008 foi inaugurada a primeira igreja cristã oficial, a igreja católica romana Santa Maria. Até então, os cristãos não tinham permissão para cultuar publicamente.


A perseguição 

Segundo a Constituição do Catar, o islamismo é a religião oficial do Estado e a base do sistema legal. Esta mesma Constituição, no entanto, garante direitos democráticos. O respeito à liberdade religiosa melhorou nos últimos anos. A Constituição explicitamente provê a liberdade de culto, e adotou leis que proveem liberdade de reuniões públicas.

Essa dicotomia reflete-se na sociedade. Embora qualquer tentativa de evangelismo seja proibida, os estrangeiros cristãos são livres para organizar e divulgar seus serviços de culto, e ministros cristãos têm liberdade para entrar no país e viajar pelo território sem nenhuma restrição. O governo regula a distribuição de materiais religiosos, mas há permissão para se importar Bíblias.

Missionários contam que os convertidos sofrem uma perseguição severa por parte de sua família e do governo, e podem até ser mortos por isso. Por essa razão, ex-muçulmanos protegem sua identidade e não querem nem ter contato com outros ex-muçulmanos, temendo fofocas, traição e perseguição. Quase todos os ex-muçulmanos catarianos se convertem fora do país quando, por exemplo, cursam universidades no ocidente. Mas a maioria não retorna ao país após sua conversão, temendo a perseguição.

O governo, há anos, tem permitido que comunidades cristãs católicas, ortodoxas, anglicanas e de outras denominações protestantes reúnam-se informalmente em cultos domésticos mediante notificação prévia às autoridades locais.

Nenhum grupo missionário estrangeiro tem operado abertamente no país. Em junho de 2004, entrou em vigor um novo código criminal que estabelece novas regras para a conversão. Quem for flagrado pregando em nome de uma organização, sociedade, ou fundação que não seja islâmica, pode ser condenado a até dez anos de prisão. Se a pregação for feita no âmbito individual, a detenção é de até cinco anos. Segundo essa nova lei, as pessoas que possuem materiais escritos ou gravados, ou itens que promovam a atividade missionária podem ser detidas durante até dois anos.

Recentemente, um líder ocidental, nascido e criado na Península Arábica, declarou: "O Golfo está se tornando um verdadeiro campo de testes para se verificar se o islã pode conviver com a diversidade em seu meio. Até o momento, no que se refere à luta entre os muçulmanos moderados e os mais radicais, os governantes são obrigados a adotar uma postura extremamente cautelosa antes de tomar qualquer decisão".


Motivos de oração


1. A Igreja no Catar está em crescimento. Ore para que os novos convertidos se dediquem tanto ao evangelismo local quanto a missões transculturais em outras nações do Oriente Médio. Ore também pelo desenvolvimento contínuo da implantação de igrejas e do discipulado, permitindo que os novos convertidos sejam treinados.

2. A Igreja catariana é constituída majoritariamente por estrangeiros. Ore para que esses trabalhadores encontrem novas formas de compartilhar discretamente sua fé e implantar novas igrejas.

3. A Igreja sofre restrições moderadas. Louve a Deus pela liberdade encontrada pela Igreja no Catar. Os cristãos têm mais liberdade que outras minorias religiosas. Peça que o relacionamento com o governo continue sendo positivo.


Fontes

- 2008 Report on International Religious Freedom

- Países@

- The World Factbook


Atualizado em 02/04/2009